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Mostrando postagens de janeiro, 2026
 
 

Desesperança

  (Raquel Pereira) Não há lágrima em minha tristeza. O que há é um inverno prolongado em minha alma, um céu cinzento em meu dia, uma inércia no pensamento, uma falta de brilho em meus olhos, um disfarçar em meu sorriso  e um tempo no relógio que não para de rodar.

O tempo e a cura

  (Raquel Pereira)      Há tristezas que só são amenizadas com o tempo, e é com ele que, vamos ressignificando as dores:   as feridas vão sendo curadas, passo a passo, e as angústias se tornam, a cada dia, mais suportáveis.     Porém, antes que qualquer cura aconteça, há um logo processo, pelo qual vamos nos despindo das feridas e escuridão da alma. É como um fardo que vai sendo descarregado pelo caminho.      No começo dessa trajetória, em busca de restaurarmos novamente nossa alegria pela vida, desacertamos tudo, fazemos uma bagunça imensa, mas até a bagunça faz parte das etapas de cura.   Neste percurso, passamos por grandes transformações, das quais muitas vezes inicialmente não percebemos; até que chegamos àquela tarde chuvosa e nostálgica, com uma paz na alma, e percebemos que, mesmo que tenha chuva lá fora, é preciso seguir.     Diante dessa percepção, notamos que não há mais peso. Estamos livres: Sem dor,...

Caos e beleza

 

Ainda me lembro, PAI.

  (Raquel Pereira) Era mês de julho. A televisão não dava trégua. O comercial frenético, disparava: “PAI, NÃO ESQUEÇA DA MINHA CALOI”. Quem está na casa dos trinta, sabe exatamente do que estou falando.   Eu, uma criança como qualquer outra, louca para ganhar a bendita! Seria a minha primeira bicicleta e, é lógico, a ansiedade tomava conta de todo o meu corpo. Na época, eu estava com cinco anos, pronta para chegada dos seis  –  esse rito de passagem que transformaria não só a minha idade, mas também os meus dias. Aproveitei, então, que era o mês do meu aniversário, e fiz o tão aguardado pedido: CALOI.             A pior loucura do meu pai foi prometer. Quem me conhece sabe que não sou criatura fácil. Quando encasqueto com alguma coisa, não há santo que resolva. Finalmente chegou o grande dia  –  MEU ANIVERSÁRIO – que, por grande coincidência, era dia dele também. Fui até a porta, ansiosa, e...

A tatuagem de Francisco

(Raquel Pereira)     A semana corria desenfreada. Final de ano, aquela loucura... documentos, papeladas, trabalhos para corrigir; tudo acontecia como, normalmente, deveria ser no final do último bimestre letivo.            Saí de casa adiantada, estava esperando no ponto de ônibus com tempo de sobra! Chegaria cedo ao trabalho...chegaria, claro! Não cheguei. Verbo conjugado no tempo certo.            Foi ELA, “ela”, que me fez perder no tempo:            - Ufa! Ai, minha filha, vou sentar um pouco. Não aguento minhas pernas.            - Ah! É bom parar um pouco, está muito quente - respondi.            Ela me contou a desventura que é, na idade dela, não ter família; ter de resolver todas as coisas sozinha. Enquanto falava, notei em seu braço uma tatuagem amparada por pequenos corações; entre eles havia u...